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terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

SPOTS TO GO #5

Corações à mesa

Chegou à Mesa do Bairro e o Luís estava à porta à sua espera com um sorriso rasgado. Cumprimentou-a com um beijo. Mariana sentiu o seu perfume fresco e amadeirado que lhe trouxe à memória só coisas boas. Sentiu-se feliz. Que estranho! Sim, era essa a palavra: feliz. Rapidamente boicotou o pensamento.
Mas este rapaz está sempre de bem com a vida? Está sempre assim: sorridente,  pontual, bem cheiroso? Alguém aguentará isto? Começamos mal este jantar, pensou.  

Quando falaram ao telefone, umas semanas atrás Mariana manteve-se reservada e desconfiada. Nem queria atender o telefone. Um encontro agora, ainda com a relação com o Tiago, terminada é certo, mas tão fresca, não era bom para ela. O ideal era manter-se sozinha, refletir bem na vida, acalmar o coração e passar mais tempo consigo própria, sem conciliar agendas e sem fazer cedências. Tempo para redescobertas. Mas o Luís desarmou-a convidando-a para jantar, e, pensando bem, conhecia o Luís há anos, amigo do irmão ainda para mais. Não era encontro nenhum. Era simplesmente um jantar.

A escolha do restaurante foi do Luís e uma agradável surpresa! Localizado perto do Campo Pequeno e atrás da Culturget (Caixa Geral de Depósitos) num bairro de pequenas vivendas que se estende até à Praça de Londres, oferece comida regional com um toque de contemporaneidade numa ementa criada em colaboração com o Chef Luís Baena. A entrada faz-se pela garrafeira do restaurante, no piso térreo com uma ampla seleção de vinhos (mais de 70 referências) que se podem escolher para acompanhar a refeição antes de subir ao primeiro andar, e, se houver bom tempo, ao terraço ao ar livre.

- Vamos? A nossa mesa deve estar pronta.
Mariana estava distraída, observando alguns rótulos na garrafeira e pensou que deveria ter trazido outra roupa, afinal. Estava muito casual. Mas depois uma voz interior relembrou-a que não era um encontro, mas um simples jantar e por isso estava muito bem assim. Esperava descobrir todos os defeitos do Luís rapidamente e acabar cedo o jantar.

O espaço do restaurante, no primeiro andar era muito acolhedor com mesas redondas que promovem sempre mais o convívio, uma parede de madeira com relevos e parte da cozinha à vista dos comensais.
- Mariana, tenho algumas sugestões para fazer de entrada. Ora vê lá se concordas.
Começaram por pedir então peixinhos da horta (4,00€) e croquetes de vitela (4,00€). De couvert foi servido um saquinho de pano com três variedade de pão, húmus, manteiga de ervas, azeite e azeitonas temperadas (1,75€). Mariana pediu um prato delicioso experimentando o Mil Folhas de bacalhau com grão ao sabor da Meia Desfeita (12,00€) e o Luís optou por um bife da vazia com molho à Marrare que acompanhou com batatas aos palitos grossos (14€). O serviço revelou-se sempre atento e discreto. Apesar do restaurante encher, nunca se tornou demasiado barulhento.

Falaram o jantar todo. Não houve afinal silêncios constrangedores, nem vontade de apressar o jantar. Relembraram alguns episódios de quando eram pequenos e algumas peripécias em férias no Algarve com as famílias. Falaram de expectativas de futuro, de notícias de atualidade e de viagens se o tempo e o dinheiro não fossem obstáculo. Mariana nem se lembrava da última vez que se tinha rido tanto! Sem pressas, sem horários, sem filtros. Sentia-se tão bem ali a viver aquele momento. Com o Luís. Mais tarde a conversa avançou para o tema relações. O Luís quis saber se estava bem e reforçar que poderia contar com ele. Ele próprio também tinha terminado uma relação recentemente, de menos tempo, mas não menos intensa. Não quiseram saber pormenores. O aqui e o agora importava mais.

- Sabes Luís, li uma frase que dizia mais ou menos isto: mais importante que a companhia para a sexta-feira à noite é a companhia para todo o dia de sábado. E é cada vez mais o que sinto.
- Mariana, não poderia concordar mais. É sinal de que estamos mais maduros? Talvez. Mas o que é certo é que não podemos fazer exatamente as mesmas coisas e esperar resultados diferentes. E aplica-se também às pessoas com quem nos relacionamos. Parece-me muito simples. A ti não?
Não podia deixar de concordar, mas ao ouvir as palavras da boca do Luís pareceu-lhe que ele via tudo muito claro, tudo era muito simples, e, na vida, nada era a preto e branco.
- Vamos para as sobremesas? Tens coragem?
Dividiram duas sobremesas: torta de laranja, novidade na carta, (4,50€) muito suave com um sabor forte a laranja que desenjoava do jantar e a versão da casa de pastel de nata com gelado de canela que foi uma opção mais doce que não desiludiu (3,00€).
Terminaram com dois cafés e com  o Luís a insistir para oferecer o jantar.

Que jantar maravilhoso! Mariana não pode deixar de sorrir.
Há dias atrás não queria combinar nada, há horas atrás estava relutante em vir ao jantar e desejou que terminasse rápido. Mas não controlamos tudo. As palavras seguintes saíram da sua boca disparadas como flechas, firmes e seguras. Já não podia voltar a engoli-las:

- Vamos repetir? Para a semana vamos marcar alguma coisa?
- Por mim sim. Próximo fim-de-semana estás por Lisboa? Há um miradouro que gosto muito e se quiseres podemos lá ir.

Olhou-o nos olhos e quis parar o tempo.


Mariana Reis



  
Mesa do Bairro
Comida regional portuguesa
R. Reis Gomes, 10 | São João de Deus | 961 459 220
25€ por pessoa aproximadamente
De segunda a sábado das 12:30 às 15:00 e das 19:30 à 00:00
Domingos apenas para almoços
Reserva recomendada
Aceita cartões


  
"Que o amor de olhos vendados encontre o caminho para a sua vontade."


William Shakespeare 





terça-feira, 31 de janeiro de 2017

O NOVO MUNDO DAS SÉRIES

Já não é novo para ninguém, só mesmo para mim ;)

Mais ou menos há uns 9 anos, até via algumas séries. Lembro-me que adorava ver com o D. o Dr. House, também via a Anatomia de Grey e pouco mais. Depois o nosso ritmo de vida deixou-nos pouco tempo para esses pequenos prazeres. Trabalhávamos muito e quando chegava à noite ainda tínhamos coisas para fazer ou então estávamos tão cansados que acabávamos por adormecer antes de conseguir ver o que quer que fosse.

A sensação que tenho do tempo em Portugal é igual à sensação que tive na primeira aula de Matemática Aplicada à Electrónica que tive no Técnico. O professor escrevia como se não houvesse amanhã, ao mesmo tempo que falava sobre outras coisas. Não conseguia ter tempo nem para copiar o que estava no quadro nem para ouvir o que dizia. Conclusão, uma hora desperdiçada. Depois tinha de ir para casa tentar perceber por mim. 
Havia tanto para fazer, tantas coisas para dar atenção, tantas pessoas a quem chegar, que o tempo parecia areia a escapar por entre os nossos dedos.

Aqui é tudo diferente. Há tempo para cada coisa. Há tempo para fazer as coisas com dedicação, sem ser a correr. Há tempo para me sentar a conversar com os meninos. Há tempo para uma história à noite. Há tempo para fazer as sobremesas que eles me pedem, mesmo que não haja ingredientes em casa, há tempo para os ir comprar. E há o nosso tempo, meu e do D., depois de deitarmos os meninos às 21h, podemos conversar só os dois, podemos ler, podemos escolher coisas novas para a casa, podemos ver televisão. E assim, as séries entraram novamente nos nossos dias.

Como não temos cá família, não podemos ir ao cinema ou ao teatro por exemplo, porque não temos com quem deixar os meninos, mas podemos aproveitar o nosso tempo em casa. Temos visto imensos filmes e agora mais recentemente, acordámos para as séries.

Começámos por ver uma que estava a passar na ITV, o Tutankhamun. Quando acabou fomos à procura de outra para ver (no Netflix) e optámos pelos Medici e adorámos! E fomos sempre vendo mais, mas sempre a mesma até chegar ao fim de todos os episódios e depois é que escolhemos outra. Vimos o The Crown, muito bem feito e muito bom para nos enquadrar um pouco na história do país no qual vivemos actualmente. Depois o Sherlock Holmes e ainda apanhámos a última temporada a passar na BBC. Muito bom, super rápido e exige muita atenção para não se perder nada em cada raciocínio, óptimo exercício para a nossa memória fotográfica. Entretanto vimos também o Mr. Selfridge. Escolhidas a dedo estas séries ;) mas é giro ver na televisão os sítios que agora são "nossos", que fazem parte dos nossos percursos diários, ou lugares que visitamos ao fim de semana. 

E, para variar um bocadinho, agora estamos a ver o House of Cards. Outro contexto, outro tema, ainda assim, viciante na mesma ;)

Isto dito assim, parece que não fazemos mais nada :) mas só vemos um episódio por dia, ou dois, quando não conseguimos esperar pelo dia seguinte para saber o que vai acontecer a seguir ;) 

Estes pequenos prazeres também nos alimentam a alma. Principalmente, ter tempo conjunto com o D.; podermos partilhar as mesmas experiências, sejam elas quais forem é sempre positivo.

Está na hora de ir deitar os meninos e ver mais um episódio :)

Ana








sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

DOS NOSSOS DIAS

Os dias são frios lá fora, calmos e ternos cá dentro.

Mudámos os horários: almoçamos antes do meio dia e jantamos às 19h. 

Não há pressa. O tempo é real.

Todas as escolhas e decisões têm o mesmo propósito - a felicidade deles.

Eles são a prioridade.

Acordamos todos mais ou menos ao mesmo tempo. Tomamos o pequeno almoço juntos, sentados à mesa. Vamos a pé para a escola, o pai vai de bicicleta para o trabalho.

Conversamos bastante, brincamos, rimos. Conheço cada olhar: o brilho nos olhos ou quando os escondem. 

Estou aqui, estou sempre aqui com e para eles. Cada alegria, cada desilusão, cada nova fase, cada queda, cada "tenta outra vez", cada sucesso, tudo é partilhado. Somos uma equipa.

Sou Mãe.

"Uma criança pronta para nascer perguntou a Deus: Dizem-me que serei enviado à terra amanhã... Como eu vou viver lá, sendo assim pequeno e indefeso? 
E Deus disse: Entre muitos anjos, eu escolhi um especial para ti. Estará à tua espera e tomará conta de ti. 
Mas diz-me, aqui no céu eu não faço nada a não ser cantar e sorrir, o que é suficiente para que eu seja feliz... serei feliz lá?
Deus: O teu anjo cantará para ti... a cada dia a cada instante, tu sentirás o amor do teu anjo e serás feliz.
Criança: Como poderei entender quando falarem comigo, se eu não conheço a língua que as pessoas falam?
Deus: Com muita paciência e carinho, o teu anjo ensinar-te-á a falar.
Criança: E o que farei quando eu quiser falar-Te?
Deus: O teu anjo juntará as tuas mãos e ensinar-te-á a rezar.
Criança: Eu ouvi que na terra há homens maus. Quem me protegerá?
Deus: O teu anjo defender-te-á mesmo que signifique arriscar a própria vida.
Criança: Mas eu serei sempre triste porque eu não Te verei mais!
Deus: O teu anjo irá sempre falar-te de Mim, ensinar-te-á a maneira de vir a Mim e Eu estarei sempre dentro de ti.
Neste momento havia paz no céu, mas as vozes da terra já podiam ser ouvidas...
A criança, apressada, pediu suavemente: Oh Deus, se eu estiver a ponto de ir agora, diz-me por favor, o nome do meu anjo.
E Deus respondeu: " Chamarás o teu anjo de Mãe!"


Ana



quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

OUR NUTRITION GUIDE #12

Bebidas vegetais: a alternativa "in" ao leite de vaca

De soja, arroz, aveia, espelta, millet, quinoa, amêndoa, linhaça, côco,... entre outros!

Hoje em dia as alternativas vegetais ao leite são cada vez mais, e na minha opinião o único senão que têm é mesmo o preço, já que estão carregados de vantagens nutricionais, e cada vez mais a teoria do "leite é um alimento completo" cai por terra!

O leite de vaca está entre os alimentos mais consumidos, mas o que muita gente não sabe é que a reação às suas proteínas pode provocar a intolerância à lactose, até mesmo em pequena escala. Diarréia, dores abdominais, cólicas, refluxo, reações alérgicas na pele e até mesmo dificuldade em perder peso são alguns dos sintomas da alergia. Por mais pequena que seja, qualquer reação à proteína do leite pode dificultar a absorção de nutrientes e a digestão.

As bebidas vegetais podem ser uma ótima opção alimentar para quem decide diminuir o consumo de leite animal ou mesmo retirá-lo do seu diário alimentar. E se a sua preocupação é vir a sofrer por falta de nutrientes, pelo contrário, poderá ganhar em fibras, minerais e saúde.

As qualidades nutricionais são inquestionáveis. Os grãos em geral (arroz, aveia, millet...etc) contêm zinco, fundamental para as defesas do organismo, fibras que regularizam o transito intestinal e que atuam no controle do colesterol. As sementes e frutos secos (linhaça, abóbora, amêndoa, entre outras) destacam-se por serem fontes de proteínas vegetais e pelo conteúdo de gorduras mono e poli-insaturadas, conhecidas como "gorduras boas".

Completando, possuem uma rápida absorção de nutrientes e função antioxidante, que proporcionam a sensação de saciedade e energia ao corpo.
Uma maneira de obter estas bebidas por um preço mais razoável é pesquisar receitas e ir testado em casa até acertar no sabor. Estas bebidas vegetais podem ser bebidas puras ou adoçadas com melaço, açúcar mascavo, etc.


Experimente, a sua saúde agradece!

Nutricionista M. Carolina Santo


segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

OUR NUTRITION GUIDE #11

Os meus super alimentos

Há alimentos que para mim são indispensáveis, e que nunca podem faltar na minha cozinha.

O meu marido diz muitas vezes que eu não tenho despensa, tenho um nutri-armário boost!

Hoje seleciono alguns do alimentos que considero importantes incluir na nossa alimentação, que têm um valor nutricional estupendo, e que por isso, os considero como super-alimentos.

ABACATE

São normalmente a base dos meus smoothies em taça. Mas também os uso para saladas, guacamole ou naquelas torradas de pequeno-almoço em estilo brunch.

Rico em Vitamina E, um potente antioxidante, capaz de combater os radicais livres causadores do envelhecimento.

De destacar ainda que, apesar de ser um fruto calórico, possui grande quantidade de gorduras insaturadas que ajudam no controlo do colesterol.

QUINOA

A quinoa é rainha na minha despensa. Gosto de fazer papas de quinoa com flocos, ou de a usar em saladas. Muitas vezes, também a acrescento nas sopas da C.

Nutricionalmente, a quinoa é uma fonte excelente de proteína, ferro e ómega 3 e 6. É indispensavel em pratos vegetarianos. Outra vantagem é ser isenta de glúten e por isso pode ser usada em diversas preparações culinárias em substituição da farinha de trigo (ou outra que contenha glúten).

TÂMARAS MEDJOOL

Talvez tenha mais quilos de tâmaras medjool cá em casa do que de açúcar! :)

Muitas pessoas me dizem que não gostam do sabor das tâmaras, a minha pergunta imediata é "já provaram as medjool?". Não é habitual encontrarmos nos supermercados convencionais as tâmaras medjool à venda, e de facto, não têm comparação possível. O sabor é fantástico. De olhos fechados , muitos me diriam que estariam a comer caramelo!

São uma alternativa interessante ao açúcar para adoçar receitas, para além de serem ricas em fibras, que ajudam a regular o intestino e a evitar a obstipação.

FRUTOS OLEAGINOSOS

Ótimos para snacks. Costumo muitas vezes comprar individualmente e posteriormente fazer as minhas misturas.

Já sabem que são bastante calóricos, mas eu acho que não devemos contar calorias, mas sim contar qualidade de produtos.

São calóricos porque são tal como o nome indica.... oleaginosos, ricos em gordura, mas é gordura boa (insaturada) que promove a saúde cardiovascular.

Fico aterrorizada com o preço das manteigas de frutos oleaginosos, e por isso, costumo fazer a minha própria manteiga. Depois é só barrar no pão ou colocar nas minhas papas de quinoa ou em bolachas que também faço.

CACAU

Em pó, em pepitas ou em chocolate com elevado teor.... eu sou "cacau-ó-dependente".

Com inúmeras propriedades nutritivas benéficas, destaco a existência de triptofano, um aminoácido que regula a serotonina, hormona que melhora o humor, reduz a ansiedade e o apetite.

PEIXE

Qual? Todo.

De viveiro ou de mar? Hummmm.... depende do viveiro, mas na realidade, em termos de sabor, aprecio mais os de mar.

Rico em proteínas de alto valor biológico, e minerais como ferro, iodo, fósforo e cálcio. Fornecedor ainda de ómega 3 e 6, gorduras essenciais ao organismo que apenas são obtidas através da alimentação.

Favoritos? Sardinha, cavala, carapau e atum.

FRUTOS VERMELHOS

Mirtilos, amoras, framboesas, arandos, groselhas, morangos.

Em Portugal, não existe grande tradição de comer frutos vermelhos. Escapam os morangos.... O mais interessante é que somos grandes exportadores destes frutos.

A sua riqueza em fitoquimicos, é indispensável para combater o stress da vida acelerada e do cansaço físico do dia-a-dia.

Para consumir, frescos, em batidos, com iogurte, granola ou desidratados sem adição de açúcar.

CURGETE

É talvez o vegetal mais versátil que uso na minha cozinha. Coloco-o na sopa, em pratos ou em bolos para substituir a gordura.

Adoro fazer o meu esparguete fingido com curgete, ou simplesmente cortá-lo em lascas com o descascador de tubérculos e fazer uma salada temperada com pesto.

Como todos os legumes, é rico em fibras e minerais.

Eu prefiro as de origem biológica (da horta dos sogros:)). Utilizo sempre com casca, pois consigo maximizar as suas propriedades.

CÚRCUMA

A estrela-mor das especiarias!

A cúrcuma ou curcumina (açafrão das índias) é simplesmente incrível. É umas das especiarias mais estudadas na prevenção do cancro, pois acredita-se que possui propriedades anti-tumorais. Coincidência ou não, a realidade é que a Índia é um dos países com menor taxa de cancro.

Não deve ser confundida com o caril, que é uma mistura de especiarias.

Eu compro sempre a raiz em mercados biológicos. Costumo usar para fazer pratos salgados, mas também a adiciono em pastelaria.

Em Londres tive oportunidade de ir ao Mae-Deli, um café bem ao estilo inglês mas com a variedade de ementa vegan que Ella Woodward, a famosa autora do blogue "deliciously ella" faz. Provei o "Turmeric Latte" e, se já gostava de cúrcuma, fiquei deliciada!


Nutricionista M. Carolina Santo


segunda-feira, 28 de novembro de 2016

SPOTS TO GO #3

Miss Verdade e Miss Passado no Miss Jappa

Chegou ao Miss Jappa e foi a primeira! Finalmente tinha conseguido organizar a agenda, sair a horas, ainda ir cortar o cabelo e estar no restaurante à hora marcada. Estava aqui uma nova Mariana, pensou para si própria!

O néon à porta, encarnado, com o nome do restaurante, não passa despercebido. A decoração é moderna, com detalhes orientais, e o espaço, não sendo muito grande, está bem organizado, com um balcão ao fundo à direita e um pequeno páteo nas traseiras, bem aproveitado. Uma luz ténue, algo misteriosa, complementa o ambiente e Mariana sentiu-se aconchegada logo assim que entrou. Viu espreitar da cozinha a responsável pelo espaço, Anna Lins, a primeira Chef portuguesa a especializar-se em comida asiática e uma veterana nestas andanças. Estava em boas mãos, de certeza.

Reparou no detalhe da pequena bonequinha japonesa num baloiço, pendurada no alto, num candeeiro, serena e contemplativa. Alheia à azáfama cá de baixo.  Por instantes, também ela quis ficar ali a baloiçar, longe das suas preocupações e dos seus pensamentos.

Teresa chegou de mansinho e prega-lhe um susto valente. Mariana dá um grito e um salto!

- Onde andavas tu e esses teus pensamentos? Estavas muito concentrada! – perguntou olhando-a nos olhos muito curiosa. – Espero que esses pensamentos não estejam a resvalar para a pessoa que bem sabemos… 
- Que susto Teresa. Achas bem?! Metade das pessoas estão a olhar para nós!
- Desculpa! Não sabia que ia assustar-te tanto! E lá estás tu sempre a pensar nos outros.

Mariana não disse nada. E não estava a pensar no Tiago, apeteceu-lhe dizer. Mas estaria a mentir. E, no fundo, ambas sabiam.

Sofia junta-se uns minutos depois e confirmou que a Marta só poderá vir mais tarde, por causa de trabalho, de uma consulta médica ou uma reunião na escola da filha. Ela não conseguia lembrar-se da justificação e tinham falado ao telefone umas horas antes de ir para ali! Queixou-se da sua memória ultimamente, contou que tinha guardado as chaves do carro no frigorífico e tinha andado como uma louca à procura delas. Todas se riram bastante com este episódio!

Já na mesa começaram por pedir uns cocktails para começar. Mariana pediu o Scarlett com abacaxi, sumo de limão e saké (5,50€). O empregado, muito prestável e sorridente, explicou em que consistiam as opções de combinados e que o conceito do Miss Jappa é o de partilha, para se poder experimentar sabores novos, sem medo de arriscar!

De entradas recomendou um delicioso Quantos Queres, com ervilhas de wasabi, chips de nori, chips de camarão e amendoim com caramelo de miso, servidos no tradicional jogo de papel da nossa infância (3,00€) e uns cones de tempura muito estaladiços (4,00€).

Tudo delicioso. Depois seguiu-se o Tártaro in a Box com tártaro de atum e salmão, chips de camarão e um irresistível molho de sweet chili (9,00€). Este foi o favorito da noite.

O restaurante estava com bastante gente e a conversa decorria animada. Há quase dois meses que não se reuniam, mas é como se tivessem estado todas juntas na semana anterior.

- Que saudades de comida japonesa – partilhou Mariana. - O Tia… - Engasgou-se na palavra. Ia dizer que o Tiago ia gostar muito deste restaurante de certeza, que imaginava regressar com ele em breve, partilhar os seus pratos favoritos da noite... O olhar da Teresa cortou-a em dois.
- Mariana, é quinta frase que dizes com Tiago à mistura!
- A sério? Não pode ser.  
- Ah pode pode. Já mudavas o disco, não?
Teresa com a sua frontalidade acabou por verbalizar o que todas pensavam.
- O passado é passado… - esforçou-se por dizer - O Tiago escolheu o seu caminho. Agora eu tenho de escolher o meu.
- Ah pois tens! E a ver se mudas de ares e começas a preencher o teu tempo livre e a ocupar a cabeça que só te fará bem. Estás sempre agarrada ao passado! Quando cheguei aqui encontrei-a a olhar para o teto! Imaginem.

Sofia reforçou as palavras da Teresa e Mariana sabia que as amigas queriam o seu bem e que estas palavras poderiam ser duras, mas no fundo elas tinham razão. Mas é difícil mudar quando tudo à nossa volta parece estar na mesma.
Ela em bom rigor achava que já tinha mudado! Quando entrou no restaurante era uma nova Mariana, cortou o cabelo (ninguém reparou!) e chegou a horas. Mas as amigas, pelos vistos, só conseguiam ver a Mariana de sempre, a antiga.
Finalmente a Marta junta-se ao grupo, e, sem dar por isso, aliviou a tensão do momento.

- Estava a ver que não conseguia vir – disse despindo o casaco e roubando um golo da bebida da Sofia. - O João trouxe-me até aqui e seguiu. Acabaram-se os jantares nesta zona meninas! Com as obras esta cidade está caótica e estas zonas centrais estão pior ainda! O que foi? Que caras são essas? Interrompi alguma coisa?
- Não, não. Vamos pedir agora as sobremesas e chegaste bem a tempo!
- Perfeito pois já comi uma sopa em casa.
Pediram leite creme de sésamo preto (3,25€) e Tarte de chocolate, toffee e gelado de gengibre (4,50€) que por ter chocolate foi a sobremesa melhor avaliada.  

Pagaram e despediram-se apressadas.

A temperatura tinha descido bastante nas últimas noites e não havia agasalhos que resistissem a mais dois dedos de conversa ao frio. É um restaurante para voltar, concluíram todas!

Mariana dormiu mal nessa noite. Sonhou com a bonequinha japonesa do Miss Jappa.  Tinha descido do baloiço e tinha vindo fazer-lhe uma visita. Trazia o Tiago pela mão e murmurava baixinho: "Estás sempre agarrada ao passado".



Mariana Reis




Miss Jappa
Japonesa
Praça do Príncipe Real, 5A (Príncipe Real) Lisboa | 21 137 9763
22€/pax. aproximadamente
Descanso semanal: Segunda-feira
De terça a domingo: 12:30 às 15:30 - 19:30 às 24:00
Sextas e Sábados encerra às 01:00
Reserva recomendada
Aceita cartões


"Mude, mas comece devagar. A direção é mais importante do que a velocidade. "

Clarice Lispector





segunda-feira, 21 de novembro de 2016

OUR FASHION TIPS #9

Querido Pai Natal, este ano portei-me como uma verdadeira Londrina

Todos os anos apregoo que não gosto do Natal, porém todos os anos ando numa excitação tal com listas de presentes e com decorações de árvore de Natal e com vinho quente (hum, não tenho bem a certeza se este ultimo é tradição de Natal, mas é a minha tradição). Soube muito cedo que o Pai Natal não existia (desculpem lá meninos). Os meus pais também nunca foram muito à bola com a coisa. Contudo, lá criavam e mantinham o espírito natalício vivo por minha causa. E ser filha única (e muito curiosa) tornava fácil encontrar onde a história natalícia não fazia sentido.

Não me levem a mal, eu sempre adorei receber prendas de Natal. A minha memória de Natal mais marcante era quando a RTP Madeira exibia o seu anúncio de Natal. A música que acompanhava o anúncio ficará para sempre na minha cabeça. E sim, o anúncio da Coca Cola também era algo muito especial. O ligar das luzes de Natal também era algo memorável (até à pandilha Costa/ Passos/ Barroso/ Soares darem cabo do país; sim, o meu Alberto também participou, mas são os seus fogos de artificio os que ficam para a história e que tanto turista atraiu, criando o cartaz turístico que ainda hoje faz parte dos roteiros).

Ser madeirense faz com que a véspera de ano novo seja sempre mais marcante que a véspera de Natal (pelo menos para os alcoólicos). Era a nossa noite, quando saíamos para a borga que nem malucos e só chegávamos a casa a hora de almoço do dia seguinte. Não houve um ano em que não fosse de direta para o almoço de família do primeiro dia do ano! Já não o consigo fazer agora, infelizmente. Doem-me as cruzes. E quero ver em direto o Dança Comigo aqui da terrinha. Coisas que só a banda do reumático compreende.

Este mês quero partilhar convosco os meus sítios favoritos para compras de Natal aqui em Londres. Porquê Londres? Porque é onde eu vivo, porque é o sítio que eu chamo de casa e porque é onde irei passar este Natal com a minha família. Tenho de admitir, porém que a maior parte das compras foi feita online (tentei fazer compras o ano passado no Hamleys, mega armazém de brinquedos; entrei na loja, dei uma vista de olhos durante dois segundos, começou-me uma enxaqueca, saí da loja). O centro turístico de Londres é mesmo excecional nesta altura do ano, mas a minha paciência tem limites e prefiro navegar em mares mais calmos (com exceção dos armazéns da Liberty London e da Fortnum & Mason). Os meus locais favoritos para as compras de Natal, além dos já mencionados, encontram-se todos na mesma rua: Portobello Road. Sim, é altamente turístico. Mas não numa Sexta ou manhã cedo num Sábado (o maridão tem de me arrancar da cama para poder cumprir este horário).

Aqui vai a minha lista de Natal, versão Londrina!
Se alguma vez por estas bandas nesta altura, espero que vos ajude.

Querido Pai Natal,

Tenho sido uma moça muito, muito bem-comportada. Tenho andado a beber menos que o normal (uma garrafa a menos por dia, para ser mais exata), tenho passeado o meu cão as sete da matina com um sorriso na cara (exceto quando tenho de apanhar o seu lindo cocó), tenho sido uma boa mulher (tirando ontem, anteontem e o ano passado todo talvez, não é relevante para agora) e tenho sido uma boa Londrina (fico sempre no lado direito das escadas rolantes e queixo-me sempre cada vez que alguém não pesca nada de como a fila funciona; vê lá se abres a pestana).

Este ano gostaria de receber:
·         Decorações para a árvore de Natal da Liberty London (adoro, adoro os monumentos de Londres em ponto pequeno)
·         Pinheiro de Natal do Mercado de Portobello Road (não vejo a hora de ver os pinheiros todos alinhados para que possamos escolher um!)
·         O relógio de parede da minha avó arranjado numa das lojas do Mercado de Portobello Road (uma surpresa para o meu pai; espero que ele goste de recordar as doze badaladas da véspera de Natal tal como quando ouvia em miúdo na casa dos meus avós – tenho muitas saudades tuas, querida avó Bela)
·         O quadro dos meus sogros com uma moldura nova colocada numa das lojas do Mercado de Portobello Road (algo que irá ser orgulhosamente pendurado na nossa sala, tal como estava na antiga casa do meu marido)
·         Chocolates, chás, bolachas, sacos e sacos de fudge (meu Deus, tive de ir até Edimburgo para perceber que sou maluca, mas maluca à grande, por fudge) e Cerisettes de Natal (bombons de licor de cereja com chocolate preto, moeda de suborno quando preciso de pedir algo ao maridão, como quem diz mais sapatos)
·         Macaroons da Ladurée
·         Se possível (sei que será difícil), um Culatello di Zibello, um enchido único e extremamente saboroso do Norte de Itália (fizemos um tasting quando lá fomos na nossa road trip no ano passado – tentarei partilhar numa próxima – era tão delicioso mas infelizmente o gato Lucrécio não nos vendeu nenhum – não perguntem, é uma longa história)

Pouca coisa, portanto. Nada de sapatos nem de roupa. Só um Natal feliz com o meu maridão, o meu cão, os meus queridos pais e sogros, na nossa casa, com a barriga cheia de marisco e com os cornos de rena tortos na minha cabeça porque bebi demasiado vinho.

 Votos sinceros,
Tatiana
xx

PS – não esperes bolachas quando visitares a nossa casa (nós vamos comê-las todas, de certezinha absoluta) mas espera sim um bom copo de vinho Madeira. Depois disso lembra-te só de meteres as renas em piloto automátic

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Dear Santa, this year I have been a good Londoner

I always proudly and clearly say that I don’t like Christmas but each year I get excited with presents lists and Christmas tree decorations and mulled wine (hum, not quite sure about the latter but it’s my own personal Christmas tradition). I knew quite early on that there is no Santa (sorry about this kids) and my parents were not found of it as well. Nevertheless, they carried on with the tradition for my sake. And being an only (and curious) child it was easy to spot the story holes. 

Don’t get me wrong, I always loved receiving presents but my strongest Christmas memory was when our local TV channel started airing the Christmas ad. Its tune will be stuck in my head forever. And yes, the Coca-Cola ad was always something special. And the turning on of the street lights was always memorable (up until the financial crisis hit us meaning the lights went ecological meaning there were barely any lights…).

Being born in Madeira made New Year’s Eve a more highly anticipated date. It was our chance to go out and party like crazy up until next day’s lunch time. I always arrived at our family lunch on January the first with zero hours sleep and a twelve-hour hangover. Hell yes! Can’t do it anymore though… My lower back hurts. And I want to watch Strictly Come Dancing.

I wanted to bring you this time my favourite places to shop this Christmas here in London. Why London, you might ask? Because it’s where I live, it’s what I call home now and it’s where I will be spending Christmas with my family. I do have to admit that the majority of our Christmas shopping was online (tried going to Hamleys last year; entered the store, had a look around, it took 2 seconds, a migraine started, I left the store). London’s touristy centre is really gorgeous this time of year but my patience is finite and I prefer to cruise much calmer seas (Liberty and Fortnum & Mason are the exceptions though). My favourite places to shop, apart from the previously mentioned, are all on the same road: Portobello Road. Yes, it’s touristy. But not on a Friday or on an early Saturday morning (my husband needs to kick me out of bed for this). 

Here goes my London’s Christmas shopping list!
If ever in town, hope this helps.

Dear Santa,

I have been a very, very good girl. I have been drinking less than usual (one bottle less per day, to be more precise), I have walked my dog at 7am with a smile on my face (except when picking up his poop), I have been a good wife (apart from yesterday, the day before and probably the rest of the year, not relevant now) and I have been a good Londoner (always standing on the right of the escalators and always complaining when someone does not understand where the queue starts. Get it together man!).

This year, I would like:
·         Christmas tree decorations from Liberty London (love, love the tiny London landmarks)
·         Christmas tree from Portobello Market (can’t wait to have them all lined up to pick one!)
·         My grandma’s wall clock repaired (a surprise to my dad; hopefully he will enjoy hearing the midnight striking ensemble at Christmas Eve as he used to when he was a kid living at my precious grandparents’ house (I miss you so much grandma Bela)
·         My in-laws’ painting with a new frame from Portobello Market (something that will proudly be hung at our living room as it was at my husband’s previous home)
·         Chocolates, teas, cookies, bags and bags of fudge (my God, I had to go up to Edinburgh to become crazy, like proper crazy, about fudge!) and Christmas Cerisettes (dark chocolate cherry liqueurs; my bribery currency when I need something from my husband aka more shoes) from Fortnum & Mason
·         Macaroons from Ladurée
·         If possible (I know it’s hard), a Culatello di Zibello, a precious and oh so tasty salumi from North Italy (we were there last year during our mega road trip – I will try and share it on a different post – and it was delicious but unfortunately Lucretius, the cat, didn’t sell us any – long story, don’t ask)

Nothing much. Nothing on shoes or clothes. Just a merry little Christmas with my husband, my dog, my beloved parents and in-laws, in our home, with a belly full of seafood and with my reindeer horns misplaced on my head as I had too much wine. 

Yours truly,
Tatiana
xx


PS - don’t expect cookies at our house (we will have eaten them all, fo’sho) but do expect a good glass of Madeira wine. After that just remember to put the reindeers in auto pilot.













Trendsetter do mês

Lady Gaga
Mulher sem medos de experimentar. Adoro como o seu estilo tem vindo a baixar de volume. Contudo, a minha escolha deve-se ao facto de ela personificar o empowerment feminino e de estar sempre pronta para defender no que acredita. You go girl!





Objeto de desejo do mês

Ténis da Josefinas
Porque temos de promover o que e nosso. Sim, os ténis são caros. Mas são uma verdadeira obra de arte, de como os artistas portugueses são especiais, dedicados, únicos e desprovidos de promoção. E se fossem de uma marca estrangeira não se iriam queixar do preço.
PS - Eu sou uma dog person mas não resisti a estes belos bichanos!





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