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terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

SPOTS TO GO #5

Corações à mesa

Chegou à Mesa do Bairro e o Luís estava à porta à sua espera com um sorriso rasgado. Cumprimentou-a com um beijo. Mariana sentiu o seu perfume fresco e amadeirado que lhe trouxe à memória só coisas boas. Sentiu-se feliz. Que estranho! Sim, era essa a palavra: feliz. Rapidamente boicotou o pensamento.
Mas este rapaz está sempre de bem com a vida? Está sempre assim: sorridente,  pontual, bem cheiroso? Alguém aguentará isto? Começamos mal este jantar, pensou.  

Quando falaram ao telefone, umas semanas atrás Mariana manteve-se reservada e desconfiada. Nem queria atender o telefone. Um encontro agora, ainda com a relação com o Tiago, terminada é certo, mas tão fresca, não era bom para ela. O ideal era manter-se sozinha, refletir bem na vida, acalmar o coração e passar mais tempo consigo própria, sem conciliar agendas e sem fazer cedências. Tempo para redescobertas. Mas o Luís desarmou-a convidando-a para jantar, e, pensando bem, conhecia o Luís há anos, amigo do irmão ainda para mais. Não era encontro nenhum. Era simplesmente um jantar.

A escolha do restaurante foi do Luís e uma agradável surpresa! Localizado perto do Campo Pequeno e atrás da Culturget (Caixa Geral de Depósitos) num bairro de pequenas vivendas que se estende até à Praça de Londres, oferece comida regional com um toque de contemporaneidade numa ementa criada em colaboração com o Chef Luís Baena. A entrada faz-se pela garrafeira do restaurante, no piso térreo com uma ampla seleção de vinhos (mais de 70 referências) que se podem escolher para acompanhar a refeição antes de subir ao primeiro andar, e, se houver bom tempo, ao terraço ao ar livre.

- Vamos? A nossa mesa deve estar pronta.
Mariana estava distraída, observando alguns rótulos na garrafeira e pensou que deveria ter trazido outra roupa, afinal. Estava muito casual. Mas depois uma voz interior relembrou-a que não era um encontro, mas um simples jantar e por isso estava muito bem assim. Esperava descobrir todos os defeitos do Luís rapidamente e acabar cedo o jantar.

O espaço do restaurante, no primeiro andar era muito acolhedor com mesas redondas que promovem sempre mais o convívio, uma parede de madeira com relevos e parte da cozinha à vista dos comensais.
- Mariana, tenho algumas sugestões para fazer de entrada. Ora vê lá se concordas.
Começaram por pedir então peixinhos da horta (4,00€) e croquetes de vitela (4,00€). De couvert foi servido um saquinho de pano com três variedade de pão, húmus, manteiga de ervas, azeite e azeitonas temperadas (1,75€). Mariana pediu um prato delicioso experimentando o Mil Folhas de bacalhau com grão ao sabor da Meia Desfeita (12,00€) e o Luís optou por um bife da vazia com molho à Marrare que acompanhou com batatas aos palitos grossos (14€). O serviço revelou-se sempre atento e discreto. Apesar do restaurante encher, nunca se tornou demasiado barulhento.

Falaram o jantar todo. Não houve afinal silêncios constrangedores, nem vontade de apressar o jantar. Relembraram alguns episódios de quando eram pequenos e algumas peripécias em férias no Algarve com as famílias. Falaram de expectativas de futuro, de notícias de atualidade e de viagens se o tempo e o dinheiro não fossem obstáculo. Mariana nem se lembrava da última vez que se tinha rido tanto! Sem pressas, sem horários, sem filtros. Sentia-se tão bem ali a viver aquele momento. Com o Luís. Mais tarde a conversa avançou para o tema relações. O Luís quis saber se estava bem e reforçar que poderia contar com ele. Ele próprio também tinha terminado uma relação recentemente, de menos tempo, mas não menos intensa. Não quiseram saber pormenores. O aqui e o agora importava mais.

- Sabes Luís, li uma frase que dizia mais ou menos isto: mais importante que a companhia para a sexta-feira à noite é a companhia para todo o dia de sábado. E é cada vez mais o que sinto.
- Mariana, não poderia concordar mais. É sinal de que estamos mais maduros? Talvez. Mas o que é certo é que não podemos fazer exatamente as mesmas coisas e esperar resultados diferentes. E aplica-se também às pessoas com quem nos relacionamos. Parece-me muito simples. A ti não?
Não podia deixar de concordar, mas ao ouvir as palavras da boca do Luís pareceu-lhe que ele via tudo muito claro, tudo era muito simples, e, na vida, nada era a preto e branco.
- Vamos para as sobremesas? Tens coragem?
Dividiram duas sobremesas: torta de laranja, novidade na carta, (4,50€) muito suave com um sabor forte a laranja que desenjoava do jantar e a versão da casa de pastel de nata com gelado de canela que foi uma opção mais doce que não desiludiu (3,00€).
Terminaram com dois cafés e com  o Luís a insistir para oferecer o jantar.

Que jantar maravilhoso! Mariana não pode deixar de sorrir.
Há dias atrás não queria combinar nada, há horas atrás estava relutante em vir ao jantar e desejou que terminasse rápido. Mas não controlamos tudo. As palavras seguintes saíram da sua boca disparadas como flechas, firmes e seguras. Já não podia voltar a engoli-las:

- Vamos repetir? Para a semana vamos marcar alguma coisa?
- Por mim sim. Próximo fim-de-semana estás por Lisboa? Há um miradouro que gosto muito e se quiseres podemos lá ir.

Olhou-o nos olhos e quis parar o tempo.


Mariana Reis



  
Mesa do Bairro
Comida regional portuguesa
R. Reis Gomes, 10 | São João de Deus | 961 459 220
25€ por pessoa aproximadamente
De segunda a sábado das 12:30 às 15:00 e das 19:30 à 00:00
Domingos apenas para almoços
Reserva recomendada
Aceita cartões


  
"Que o amor de olhos vendados encontre o caminho para a sua vontade."


William Shakespeare 





segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

SPOTS TO GO #4

Lavrar a terra, lavrar amizades

Chegou à Quinta do Arneiro no início da tarde, vinda da A8.
Um céu azulão, sem nuvens dava-lhe as boas-vindas e sabia mesmo bem depois de dias nublados com alguma chuva sentir o sol morno de Inverno no rosto. Aquecia a alma. Respirou bem fundo, enquanto fechava a porta do carro. Começou à procura dos óculos escuros na sua mala, que bem pode pesar uns 10 kg, mas que está cheia de todos os bens "essenciais" indispensáveis ao seu dia-a-dia.

Que boa ideia a Teresa ter combinado um lanche longe da cidade! A menos de uma hora de carro, a 40km de Lisboa, um local novo para conhecer e a promessa de uma tarde bem passada. Não poderia desejar melhor programa para o domingo. Quando a Teresa lhe ligou a combinar uns dias antes nem hesitou. Hoje são só as duas neste programa.

Teresa chegou pouco depois e juntas começaram a explorar a Quinta. Um largo muito amplo e arranjado com uma árvore enorme em destaque e um espaço protegido do sol com mesas banquinhos e sofás complementam a decoração rústica acolhendo os que chegam. As tabuletas pintadas à mão com indicações "Horta", "Pomar", "Restaurante" orientam as visitas. Alguns casais e famílias terminavam os seus almoços tardios de domingo conversando animadamente cá fora.

Luísa Almeida, alma e coração do projeto, veio ter com elas com um grande sorriso. Estava disposta a fazer uma visita guiada, quando quisessem, mas antes do sol ir embora, para conhecerem as produções e um pouco da história do espaço que passou para as mãos do seu pai em 1967 e explicar o porquê da agricultura biológica ser a maneira certa de fazer agricultura, sempre com um brilhozinho nos olhos.

Optaram por caminhar um pouco  sem rumo, à descoberta, e, depois, como a fome já apertava, decidiram entrar no restaurante para lanchar. A visita ficou alinhavada, mas com o grupo de amigas completo e almoço nas calmas incluído. Era só vir a Primavera!

O restaurante tem uma decoração muito cuidada em tons de branco e verde água e todas as mesas têm pequenas jarras com flores silvestres. No centro, uma mesa com vasos de plantas  e cabazes de legumes e verduras da época complementam a decoração com um enorme colorido. A cozinha aberta, com os seus azulejos verde esmeralda, atraem logo todos os olhares e de lá vêm as iguarias biológicas que a terra dá, respeitando os seus ciclos, daí o lema da Quinta "biológico com Amor".
 Um segundo piso com mesas é também local de workshops e alguns eventos de empresas.
Escolheram uma mesa longe da porta, já fazia algum frio.

-Mariana – interrompeu Teresa – queria falar contigo. Sinto que te devo um pedido de desculpas.
-A mim? – disse Mariana surpreendida, mas não tirando os olhos do telemóvel, querendo registar tudo em imagens, tirando fotos umas atrás das outras. – Este espaço está mesmo giro!
-Sim, depois do jantar no Miss Jappa, o nosso último jantar, mal falámos e eu não acho que tenha sido correta contigo, primeiro pregando-te um valente susto, depois dizendo para mudares o disco, para não pensares mais naquele que sabemos...
-Oh Teresa pára já por aí. Faz algum sentido pedires desculpas? Tiveste tu muita razão. Entre nós não há cá dessas coisas... Não é fácil em muitas coisas o dia-a-dia, mas agora avancei. Sabes Teresa, todos estes acontecimentos fizeram-me crescer imenso. Teresa debruçou-se como se a quisesse ouvir mais de perto, para melhor absorver as palavras.

A conversa foi interrompida. O lanche vinha aos poucos para a mesa: sumo de beterraba, chá de menta, um crumble de maçã de-li-ci-o-so, pão fresco, húmus, pasta de beterraba, azeite biológico e fruta fresca da época (12€).

- Fico tão contente por te ouvir falar assim.
- Às vezes é difícil. – continuou Mariana – Não me apetece estar com ninguém também neste momento. Sinceramente tantos planos por água abaixo que agora nem quero pensar em temas do coração. Agora America first!, ou melhor, Mariana first!
Riram-se ambas!

- Mas voltando atrás, não fui justa, acho que as minhas palavras te magoaram, não era a minha intenção. Quero ver-te bem. Sabes disso. Sobretudo quero que saibas que contas comigo, seja em que momento for.

Mariana quis mudar o tema de conversa, mas antes olharam uma para outra. Este olhar acompanhado do silêncio disse tudo. E o importante era o agora e aproveitar os momentos presentes. O que passou passou, lá em 2016, como se fosse um ano distante no passado de que nos lembramos vagamente de alguns episódios.
Teresa gostou de ver esta nova amiga e as boas energias!

O lanche estava delicioso, mas foi um bocadinho demorado. No entanto, concordaram que as pressas não faziam parte daquela tarde!
Foram as últimas a sair, já de noite. Antes de partirem espreitaram a mercearia e animaram-se a levar alguma fruta e uma compota de abóbora cada uma para experimentar. Quanto aos cabazes entregues em casa pela Quinta do Arneiro ficaram de investigar mais no website e na página do Facebook as condições e os preços.

Só mais tarde Mariana reparou numa chamada não atendida. Era o Luís, um amigo do irmão. Já não se viam há algum tempo. O que poderia ele querer? No dia seguinte logo pensava se ia devolver a chamada, isto se tivesse tempo. Melhor não. Não deveria ser nada de importante. Deveria era ser engano!


Mariana Reis




Quinta do Arneiro
Biológico / Vegetariano
Azueira 

2665-004 Mafra | 917 663 556

De segunda a sexta: 09:00 às 17:00
Mercearia de quarta-feira a domingo das 09:00 às 18:00
Presença em Mercados Biológicos em Lisboa e Cascais
Almoços e lanches de quarta-feira a domingo
Aceita reservas
Aceita cartões


"Não há boa terra sem bom lavrador"


Provérbio popular 







segunda-feira, 28 de novembro de 2016

SPOTS TO GO #3

Miss Verdade e Miss Passado no Miss Jappa

Chegou ao Miss Jappa e foi a primeira! Finalmente tinha conseguido organizar a agenda, sair a horas, ainda ir cortar o cabelo e estar no restaurante à hora marcada. Estava aqui uma nova Mariana, pensou para si própria!

O néon à porta, encarnado, com o nome do restaurante, não passa despercebido. A decoração é moderna, com detalhes orientais, e o espaço, não sendo muito grande, está bem organizado, com um balcão ao fundo à direita e um pequeno páteo nas traseiras, bem aproveitado. Uma luz ténue, algo misteriosa, complementa o ambiente e Mariana sentiu-se aconchegada logo assim que entrou. Viu espreitar da cozinha a responsável pelo espaço, Anna Lins, a primeira Chef portuguesa a especializar-se em comida asiática e uma veterana nestas andanças. Estava em boas mãos, de certeza.

Reparou no detalhe da pequena bonequinha japonesa num baloiço, pendurada no alto, num candeeiro, serena e contemplativa. Alheia à azáfama cá de baixo.  Por instantes, também ela quis ficar ali a baloiçar, longe das suas preocupações e dos seus pensamentos.

Teresa chegou de mansinho e prega-lhe um susto valente. Mariana dá um grito e um salto!

- Onde andavas tu e esses teus pensamentos? Estavas muito concentrada! – perguntou olhando-a nos olhos muito curiosa. – Espero que esses pensamentos não estejam a resvalar para a pessoa que bem sabemos… 
- Que susto Teresa. Achas bem?! Metade das pessoas estão a olhar para nós!
- Desculpa! Não sabia que ia assustar-te tanto! E lá estás tu sempre a pensar nos outros.

Mariana não disse nada. E não estava a pensar no Tiago, apeteceu-lhe dizer. Mas estaria a mentir. E, no fundo, ambas sabiam.

Sofia junta-se uns minutos depois e confirmou que a Marta só poderá vir mais tarde, por causa de trabalho, de uma consulta médica ou uma reunião na escola da filha. Ela não conseguia lembrar-se da justificação e tinham falado ao telefone umas horas antes de ir para ali! Queixou-se da sua memória ultimamente, contou que tinha guardado as chaves do carro no frigorífico e tinha andado como uma louca à procura delas. Todas se riram bastante com este episódio!

Já na mesa começaram por pedir uns cocktails para começar. Mariana pediu o Scarlett com abacaxi, sumo de limão e saké (5,50€). O empregado, muito prestável e sorridente, explicou em que consistiam as opções de combinados e que o conceito do Miss Jappa é o de partilha, para se poder experimentar sabores novos, sem medo de arriscar!

De entradas recomendou um delicioso Quantos Queres, com ervilhas de wasabi, chips de nori, chips de camarão e amendoim com caramelo de miso, servidos no tradicional jogo de papel da nossa infância (3,00€) e uns cones de tempura muito estaladiços (4,00€).

Tudo delicioso. Depois seguiu-se o Tártaro in a Box com tártaro de atum e salmão, chips de camarão e um irresistível molho de sweet chili (9,00€). Este foi o favorito da noite.

O restaurante estava com bastante gente e a conversa decorria animada. Há quase dois meses que não se reuniam, mas é como se tivessem estado todas juntas na semana anterior.

- Que saudades de comida japonesa – partilhou Mariana. - O Tia… - Engasgou-se na palavra. Ia dizer que o Tiago ia gostar muito deste restaurante de certeza, que imaginava regressar com ele em breve, partilhar os seus pratos favoritos da noite... O olhar da Teresa cortou-a em dois.
- Mariana, é quinta frase que dizes com Tiago à mistura!
- A sério? Não pode ser.  
- Ah pode pode. Já mudavas o disco, não?
Teresa com a sua frontalidade acabou por verbalizar o que todas pensavam.
- O passado é passado… - esforçou-se por dizer - O Tiago escolheu o seu caminho. Agora eu tenho de escolher o meu.
- Ah pois tens! E a ver se mudas de ares e começas a preencher o teu tempo livre e a ocupar a cabeça que só te fará bem. Estás sempre agarrada ao passado! Quando cheguei aqui encontrei-a a olhar para o teto! Imaginem.

Sofia reforçou as palavras da Teresa e Mariana sabia que as amigas queriam o seu bem e que estas palavras poderiam ser duras, mas no fundo elas tinham razão. Mas é difícil mudar quando tudo à nossa volta parece estar na mesma.
Ela em bom rigor achava que já tinha mudado! Quando entrou no restaurante era uma nova Mariana, cortou o cabelo (ninguém reparou!) e chegou a horas. Mas as amigas, pelos vistos, só conseguiam ver a Mariana de sempre, a antiga.
Finalmente a Marta junta-se ao grupo, e, sem dar por isso, aliviou a tensão do momento.

- Estava a ver que não conseguia vir – disse despindo o casaco e roubando um golo da bebida da Sofia. - O João trouxe-me até aqui e seguiu. Acabaram-se os jantares nesta zona meninas! Com as obras esta cidade está caótica e estas zonas centrais estão pior ainda! O que foi? Que caras são essas? Interrompi alguma coisa?
- Não, não. Vamos pedir agora as sobremesas e chegaste bem a tempo!
- Perfeito pois já comi uma sopa em casa.
Pediram leite creme de sésamo preto (3,25€) e Tarte de chocolate, toffee e gelado de gengibre (4,50€) que por ter chocolate foi a sobremesa melhor avaliada.  

Pagaram e despediram-se apressadas.

A temperatura tinha descido bastante nas últimas noites e não havia agasalhos que resistissem a mais dois dedos de conversa ao frio. É um restaurante para voltar, concluíram todas!

Mariana dormiu mal nessa noite. Sonhou com a bonequinha japonesa do Miss Jappa.  Tinha descido do baloiço e tinha vindo fazer-lhe uma visita. Trazia o Tiago pela mão e murmurava baixinho: "Estás sempre agarrada ao passado".



Mariana Reis




Miss Jappa
Japonesa
Praça do Príncipe Real, 5A (Príncipe Real) Lisboa | 21 137 9763
22€/pax. aproximadamente
Descanso semanal: Segunda-feira
De terça a domingo: 12:30 às 15:30 - 19:30 às 24:00
Sextas e Sábados encerra às 01:00
Reserva recomendada
Aceita cartões


"Mude, mas comece devagar. A direção é mais importante do que a velocidade. "

Clarice Lispector





terça-feira, 4 de outubro de 2016

LONGE DE CASA

2016 é um ano em que tudo para mim é diferente. Antes da nossa vinda para Londres, vivi cada almoço, cada aniversário, cada despedida, com muita intensidade. Agora que já cá estamos começou uma nova fase - almoços, aniversários, tudo por nossa conta, sem as nossas pessoas.

Pouco depois de termos chegado cá, fomos passear por Inglaterra, um pouco mais para norte de Londres. Ficamos em Cotswold e a zona é simplesmente linda, mas isso fica para outra vez ;) 

Chegámos ao hotel dia 25 de Agosto e, no dia seguinte, eu fazia anos. Primeiro aniversário longe de casa. Eu não sou propriamente uma pessoa de mudanças e tudo isto mexeu comigo. No entanto, no próprio dia o sentimento foi muito diferente. O D. fez algumas surpresas ao longo do dia, sendo uma delas um passeio com os meninos num parque selvagem. Estive tão bem "ocupada" todo o dia, em família, com tempo, sem olhar para o relógio, com o sol que parecia ter sido encomendado e com as habituais chamadas de família e amigos a desejar um dia feliz! Correu mesmo muito bem e, para mim, foi como um sinal de boas vindas, um sinal de que tudo vai correr bem. Já passou mais de um mês e o balanço é muito positivo.

Esta visita também foi um óptimo presente para os meninos. Os olhinhos deles não chegavam para tanta coisa ao mesmo tempo! Animais grandes, animais pequenos, macacos às cores, animais que nunca tinham visto e o comboio! O António é fã de todos os meios de transporte e assim que fui o comboio ficou numa excitação! O Vasquinho disse: " Mom look train!". Ainda só diz palavras meio soltas, mas sem nós lhe pedirmos (até porque queremos muito que ele fale e escreva português correcto), começa a falar em inglês, acho que por contágio - ouve todos a falarem assim :)

Adorei o dia e, este aniversário em especial, tenho a certeza que nunca vou esquecer.

Ana







Cotswold Wildlife

terça-feira, 27 de setembro de 2016

SPOTS TO GO #1

Ceviches, Tacos & Tears

Chegou ao El Clandestino, na R. da Rosa, vinda do Cais do Sodré a pé onde tinha estacionado. Agora era sempre a subir até chegar ao restaurante. Sabia que era impossível  estacionar no Príncipe Real pela hora do jantar, ainda para mais numa quinta-feira. E, para variar, estava atrasada. Já lá deviam estar todas.

A cabeça a mil. As ideias bailavam entre o relatório de entrega de fecho que não tinha conseguido acabar, reuniões infindáveis o dia todo, o seguro do carro, devolver chamadas, tudo a correr, como sempre. E depois... Depois, a meio da tarde... a bomba.

Quando chegou parou um minuto à entrada impressionada com o painel de madeira gigante com casas coloridas amontoadas e iluminadas, à esquerda de quem entra. “Favela Vidigal”, feito à medida para o espaço, soube mais tarde. O restaurante parecia ser também uma galeria de arte e estava cheio! Nas mesas, umas altas com bancos, as pessoas conviviam animadamente, num ambiente descontraído. Os empregados passavam atarefados com pedidos e pratos coloridos com ceviches, tacos e muitos shots e margaritas. Parecia que dançavam ao som da musica, alta, a condizer com o espírito. Da entrada dá para espreitar a azáfama da cozinha, aberta ao público. Era daí que saiam as iguarias, numa mistura de opções mexicanas e peruanas, a nova tendência que parece que veio para ficar. Pelo menos ela achava que sim. No andar de cima, uma mezzanine também com mesas e ao fundo um pequeno pátio decorado com objectos de cores garridas fazendo alusão a um cemitério mexicano.

- Mariana! Estamos aqui. Que fazes aí parada?
- Desculpem o atraso! Estava difícil.

As conversas começavam a atropelar-se. Era sempre assim. Os temas variavam entre família, as novas conquistas dos filhos, fotos das últimas viagens feitas a dois, algumas novidades e muitos desabafos de chefias e colegas. Estes jantares, onde o tempo voava, apesar de não se realizarem com a frequência desejada, eram como que sagrados. Partilhavam-se desabafos, dúvidas, dilemas, experiências e boas energias! Sempre com grande dose de franqueza que a intimidade entre todas assim o permitia. 

A empregada, diligente, com um sorriso pronto, queria tirar os pedidos, mas percebeu que tinha de regressar mais tarde. Com tanta conversa ninguém viu os menus. O couvert já tinha sido devorado. Totopos (nachos fritos caseiros) com 3 molhos (4,50€). A guacamole estava ótima, fresca e com muito boa consistência.

Finalmente pediram. Tacos e ceviches para partilhar. O taco de leitão cozinhado a baixa temperatura (8.30€) foi o favorito. Todos muito bem recheados, alguns com opções picantes. Nos ceviches o Clandestino levou nota mais alta (9€). A empregada teve sempre o cuidado de dar explicação dos pratos, confecção e ingredientes à medida que surgiam as perguntas.

Acompanharam com margaritas. Foi difícil escolher entre 12 opções. A Triple Citrus (6€) com sabor a citrinos foi a mais votada. 

Os grupos de amigos, casais e alguns grupos estrangeiros continuavam a a encher a casa.

De repente, Mariana explodiu:

- O Tiago vai-se casar.
- Mas já? A sério? Ohhh Mariana...
- Nem sei que te dizer.... Como é que soubeste?
- Pelo Facebook. Há alguma coisa que não se saiba primeiro pelo Facebook hoje em dia?

Era verdade. Nenhuma soube com que argumentos contestar esta frase. 

- Como estás?

A velha pergunta de sempre. A velha resposta de sempre. Não sabia.
O silencio impôs-se na mesa. Todas sentiam que lhe custava ainda (e muito) falar sobre isso.
A Marta quebrou o silêncio. 

- Olhem a sobremesa.... Vamos escolher?!

Era melhor mudar de assunto, pelo menos para já.

La bomba de chocolate (chocolate em duas texturas com espuma de pimenta e malagueta e amendoim caramelizado) foi o favorito (5€). O Jardim de churros com doce de leite nada enjoativo e espuma de lima (5,50€) também não desiludiu e ficaram a saber que era o favorito dos clientes.

Mariana não dividiu sobremesa. Se havia motivo forte para furar quaisquer dietas era aquele.

Ficou a promessa de voltarem. E da próxima vez começariam com um shot, de entre 15 à escolha.


Mariana Reis

El Clandestino
Mexicano/Peruano
Rua da Rosa, 321 (Príncipe Real) Lisboa | 915 035 553
20€/pax. aproximadamente
Descanso semanal: Não tem
Das 18h30 às 02:00
Reserva recomendada
Aceita cartões



"O amor é tão importante como a comida. Mas não alimenta."
Gabriel García Márquez





quinta-feira, 9 de junho de 2016

HERDADE DA CORTESIA

Terminamos esta semana de sol e calor com uma sugestão para uma escapadinha no Alentejo. A Herdade da Cortesia perto de Avis é um pequeno hotel onde podemos fugir da confusão da semana e mergulhar na calma do Alentejo.

Nós fomos quando o Francisco ainda era mais pequenino para comemorar uma data especial. Deixámos os manos mais velhos com os avós e levámos só o bebé. Mal chegámos ficámos surpreendidos com a originalidade do edifício e depois com o quarto.

Ficámos só uma noite mas passámos a tarde de Sábado e grande parte do dia de Domingo na piscina que é linda. O pequeno-almoço é muito variado e delicioso:) Acompanhado por uma vista magnífica!

Não jantámos no hotel porque tínhamos um voucher para jantar numa pousada e fomos até Arraiolos. Mas no Domingo almoçámos na piscina, como fazemos sempre que vamos dormir fora e o tempo convida a apanhar Sol :)

Uma sugestão excelente para os fins-de-semana de bom tempo que se aproximam!

Mónica








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terça-feira, 24 de maio de 2016

OUR DAYS - PREGO NA PEIXARIA

Mais uma hora de almoço aproveitada para conhecer um novo restaurante.

Já conhecia o Prego na Peixaria do Saldanha e assim que abriu o de Alvalade fiquei cheia de vontade de experimentar.

Na semana passada, lá fomos e de facto valeu a pena :) A decoração está linda com a árvore tão falada no meio do bar mas como o dia estava fantástico, aproveitámos para ficar na esplanada.

Começámos com um bolo do caco com manteiga de alho que estava divinal e me fez "viajar" até às férias em Porto Santo.

De seguida, o prego em bolo do caco que adoro com a carne super macia.

A zona de Alvalade está cada vez mais movimentada com imensos espaços giros! Vale a pena passar por lá ;)

Mónica








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sexta-feira, 20 de maio de 2016

NOVA IORQUE

Ainda ontem falava de aproveitar as oportunidades que surgem e este ano felizmente temos tido várias :) Para além do "vá para fora cá dentro" que tanto gostamos de fazer com os meninos para lhes abrir os horizontes e lhes dar a conhecer o nosso país, já fomos para fora duas vezes.

A última viagem que tínhamos feito só os dois foi para Cabo Verde (grávida do Francisco). No início deste ano tínhamos combinado que este era o ano da ida a Nova Iorque (que já estava na minha lista há muito tempo). A oportunidade surgiu em Abril e nós nem pensámos duas vezes, mesmo tendo chegado de Londres só há duas semanas.

Deixar três filhos não é fácil e nunca o tínhamos feito por mais que uma noite, mas com a ajuda fantástica que tivemos de avós e tios correu muito bem.

Eu, como já sabia que ia acontecer, adorei Nova Iorque. Para a altura do ano tivemos muita sorte com o tempo e apesar de frio apanhámos dias de sol lindos!

Hoje partilho convosco algumas das fotografias que tirámos. Subimos ao Top of the Rocks e ao World Trade Center que nos proporcionaram vistas magníficas da cidade! Recomendo :)

Mónica










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