segunda-feira, 21 de novembro de 2016

OUR FASHION TIPS #9

Querido Pai Natal, este ano portei-me como uma verdadeira Londrina

Todos os anos apregoo que não gosto do Natal, porém todos os anos ando numa excitação tal com listas de presentes e com decorações de árvore de Natal e com vinho quente (hum, não tenho bem a certeza se este ultimo é tradição de Natal, mas é a minha tradição). Soube muito cedo que o Pai Natal não existia (desculpem lá meninos). Os meus pais também nunca foram muito à bola com a coisa. Contudo, lá criavam e mantinham o espírito natalício vivo por minha causa. E ser filha única (e muito curiosa) tornava fácil encontrar onde a história natalícia não fazia sentido.

Não me levem a mal, eu sempre adorei receber prendas de Natal. A minha memória de Natal mais marcante era quando a RTP Madeira exibia o seu anúncio de Natal. A música que acompanhava o anúncio ficará para sempre na minha cabeça. E sim, o anúncio da Coca Cola também era algo muito especial. O ligar das luzes de Natal também era algo memorável (até à pandilha Costa/ Passos/ Barroso/ Soares darem cabo do país; sim, o meu Alberto também participou, mas são os seus fogos de artificio os que ficam para a história e que tanto turista atraiu, criando o cartaz turístico que ainda hoje faz parte dos roteiros).

Ser madeirense faz com que a véspera de ano novo seja sempre mais marcante que a véspera de Natal (pelo menos para os alcoólicos). Era a nossa noite, quando saíamos para a borga que nem malucos e só chegávamos a casa a hora de almoço do dia seguinte. Não houve um ano em que não fosse de direta para o almoço de família do primeiro dia do ano! Já não o consigo fazer agora, infelizmente. Doem-me as cruzes. E quero ver em direto o Dança Comigo aqui da terrinha. Coisas que só a banda do reumático compreende.

Este mês quero partilhar convosco os meus sítios favoritos para compras de Natal aqui em Londres. Porquê Londres? Porque é onde eu vivo, porque é o sítio que eu chamo de casa e porque é onde irei passar este Natal com a minha família. Tenho de admitir, porém que a maior parte das compras foi feita online (tentei fazer compras o ano passado no Hamleys, mega armazém de brinquedos; entrei na loja, dei uma vista de olhos durante dois segundos, começou-me uma enxaqueca, saí da loja). O centro turístico de Londres é mesmo excecional nesta altura do ano, mas a minha paciência tem limites e prefiro navegar em mares mais calmos (com exceção dos armazéns da Liberty London e da Fortnum & Mason). Os meus locais favoritos para as compras de Natal, além dos já mencionados, encontram-se todos na mesma rua: Portobello Road. Sim, é altamente turístico. Mas não numa Sexta ou manhã cedo num Sábado (o maridão tem de me arrancar da cama para poder cumprir este horário).

Aqui vai a minha lista de Natal, versão Londrina!
Se alguma vez por estas bandas nesta altura, espero que vos ajude.

Querido Pai Natal,

Tenho sido uma moça muito, muito bem-comportada. Tenho andado a beber menos que o normal (uma garrafa a menos por dia, para ser mais exata), tenho passeado o meu cão as sete da matina com um sorriso na cara (exceto quando tenho de apanhar o seu lindo cocó), tenho sido uma boa mulher (tirando ontem, anteontem e o ano passado todo talvez, não é relevante para agora) e tenho sido uma boa Londrina (fico sempre no lado direito das escadas rolantes e queixo-me sempre cada vez que alguém não pesca nada de como a fila funciona; vê lá se abres a pestana).

Este ano gostaria de receber:
·         Decorações para a árvore de Natal da Liberty London (adoro, adoro os monumentos de Londres em ponto pequeno)
·         Pinheiro de Natal do Mercado de Portobello Road (não vejo a hora de ver os pinheiros todos alinhados para que possamos escolher um!)
·         O relógio de parede da minha avó arranjado numa das lojas do Mercado de Portobello Road (uma surpresa para o meu pai; espero que ele goste de recordar as doze badaladas da véspera de Natal tal como quando ouvia em miúdo na casa dos meus avós – tenho muitas saudades tuas, querida avó Bela)
·         O quadro dos meus sogros com uma moldura nova colocada numa das lojas do Mercado de Portobello Road (algo que irá ser orgulhosamente pendurado na nossa sala, tal como estava na antiga casa do meu marido)
·         Chocolates, chás, bolachas, sacos e sacos de fudge (meu Deus, tive de ir até Edimburgo para perceber que sou maluca, mas maluca à grande, por fudge) e Cerisettes de Natal (bombons de licor de cereja com chocolate preto, moeda de suborno quando preciso de pedir algo ao maridão, como quem diz mais sapatos)
·         Macaroons da Ladurée
·         Se possível (sei que será difícil), um Culatello di Zibello, um enchido único e extremamente saboroso do Norte de Itália (fizemos um tasting quando lá fomos na nossa road trip no ano passado – tentarei partilhar numa próxima – era tão delicioso mas infelizmente o gato Lucrécio não nos vendeu nenhum – não perguntem, é uma longa história)

Pouca coisa, portanto. Nada de sapatos nem de roupa. Só um Natal feliz com o meu maridão, o meu cão, os meus queridos pais e sogros, na nossa casa, com a barriga cheia de marisco e com os cornos de rena tortos na minha cabeça porque bebi demasiado vinho.

 Votos sinceros,
Tatiana
xx

PS – não esperes bolachas quando visitares a nossa casa (nós vamos comê-las todas, de certezinha absoluta) mas espera sim um bom copo de vinho Madeira. Depois disso lembra-te só de meteres as renas em piloto automátic

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Dear Santa, this year I have been a good Londoner

I always proudly and clearly say that I don’t like Christmas but each year I get excited with presents lists and Christmas tree decorations and mulled wine (hum, not quite sure about the latter but it’s my own personal Christmas tradition). I knew quite early on that there is no Santa (sorry about this kids) and my parents were not found of it as well. Nevertheless, they carried on with the tradition for my sake. And being an only (and curious) child it was easy to spot the story holes. 

Don’t get me wrong, I always loved receiving presents but my strongest Christmas memory was when our local TV channel started airing the Christmas ad. Its tune will be stuck in my head forever. And yes, the Coca-Cola ad was always something special. And the turning on of the street lights was always memorable (up until the financial crisis hit us meaning the lights went ecological meaning there were barely any lights…).

Being born in Madeira made New Year’s Eve a more highly anticipated date. It was our chance to go out and party like crazy up until next day’s lunch time. I always arrived at our family lunch on January the first with zero hours sleep and a twelve-hour hangover. Hell yes! Can’t do it anymore though… My lower back hurts. And I want to watch Strictly Come Dancing.

I wanted to bring you this time my favourite places to shop this Christmas here in London. Why London, you might ask? Because it’s where I live, it’s what I call home now and it’s where I will be spending Christmas with my family. I do have to admit that the majority of our Christmas shopping was online (tried going to Hamleys last year; entered the store, had a look around, it took 2 seconds, a migraine started, I left the store). London’s touristy centre is really gorgeous this time of year but my patience is finite and I prefer to cruise much calmer seas (Liberty and Fortnum & Mason are the exceptions though). My favourite places to shop, apart from the previously mentioned, are all on the same road: Portobello Road. Yes, it’s touristy. But not on a Friday or on an early Saturday morning (my husband needs to kick me out of bed for this). 

Here goes my London’s Christmas shopping list!
If ever in town, hope this helps.

Dear Santa,

I have been a very, very good girl. I have been drinking less than usual (one bottle less per day, to be more precise), I have walked my dog at 7am with a smile on my face (except when picking up his poop), I have been a good wife (apart from yesterday, the day before and probably the rest of the year, not relevant now) and I have been a good Londoner (always standing on the right of the escalators and always complaining when someone does not understand where the queue starts. Get it together man!).

This year, I would like:
·         Christmas tree decorations from Liberty London (love, love the tiny London landmarks)
·         Christmas tree from Portobello Market (can’t wait to have them all lined up to pick one!)
·         My grandma’s wall clock repaired (a surprise to my dad; hopefully he will enjoy hearing the midnight striking ensemble at Christmas Eve as he used to when he was a kid living at my precious grandparents’ house (I miss you so much grandma Bela)
·         My in-laws’ painting with a new frame from Portobello Market (something that will proudly be hung at our living room as it was at my husband’s previous home)
·         Chocolates, teas, cookies, bags and bags of fudge (my God, I had to go up to Edinburgh to become crazy, like proper crazy, about fudge!) and Christmas Cerisettes (dark chocolate cherry liqueurs; my bribery currency when I need something from my husband aka more shoes) from Fortnum & Mason
·         Macaroons from Ladurée
·         If possible (I know it’s hard), a Culatello di Zibello, a precious and oh so tasty salumi from North Italy (we were there last year during our mega road trip – I will try and share it on a different post – and it was delicious but unfortunately Lucretius, the cat, didn’t sell us any – long story, don’t ask)

Nothing much. Nothing on shoes or clothes. Just a merry little Christmas with my husband, my dog, my beloved parents and in-laws, in our home, with a belly full of seafood and with my reindeer horns misplaced on my head as I had too much wine. 

Yours truly,
Tatiana
xx


PS - don’t expect cookies at our house (we will have eaten them all, fo’sho) but do expect a good glass of Madeira wine. After that just remember to put the reindeers in auto pilot.













Trendsetter do mês

Lady Gaga
Mulher sem medos de experimentar. Adoro como o seu estilo tem vindo a baixar de volume. Contudo, a minha escolha deve-se ao facto de ela personificar o empowerment feminino e de estar sempre pronta para defender no que acredita. You go girl!





Objeto de desejo do mês

Ténis da Josefinas
Porque temos de promover o que e nosso. Sim, os ténis são caros. Mas são uma verdadeira obra de arte, de como os artistas portugueses são especiais, dedicados, únicos e desprovidos de promoção. E se fossem de uma marca estrangeira não se iriam queixar do preço.
PS - Eu sou uma dog person mas não resisti a estes belos bichanos!





terça-feira, 15 de novembro de 2016

CUIDAR DE QUEM SE GOSTA

Já todos lemos e ouvimos vezes sem conta que a vida passa a voar e que não damos por os dias passarem. Estamos sempre tão envolvidos na vida do dia-a-dia e em todas as coisas que temos constantemente para fazer, que às vezes é difícil sair desse ciclo. Eu sinto isso imensas vezes especialmete desde que sou mãe de três e tento equilibrar tudo. No outro dia li um texto genial da Sónia Morais Santos que falava sobre isso mesmo, quando "tapamos dum lado, destapamos do outro".

Esforço-me bastante por fazer coisas fora da rotina que proporcionem momentos felizes. Mas e quando somos surpreendidos pelas pessoas que nos rodeiam com gestos de generosidade que nos deixam completamente surpreendidos? É tão bom :) E foi o que me aconteceu na quarta-feira passada, no meio de um mês tão "cheio".

À hora de almoço tive uma conversa séria com alguém que abdicou de meia hora do seu dia para me ouvir e me dizer umas coisas que estava a precisar de ouvir... uma espécie de "wake up call".

Já depois do jantar fui a casa da S. (que por coincidência é minha "quase vizinha") entregar uma encomenda da MorethanCookies e sou surpreendida com um embrulho lindo com doses individuais de marmelada para os meninos lá de casa! Mais meia hora de conversa boa e muita marmelada para o Afonso e o Manel :)

Fui dormir com uma sensação de felicidade gigantesca... duas pessoas tinham abdicado do seu tempo (um dos bens mais preciosos que temos atualmente) para mim e para os meus filhos! Um grande agradecimento aos dois.

No dia a seguir, acordei uns minutos mais cedo, e preparei uma mesa de pequeno-almoço especial. Foi um início de quinta com sabor a fim-de-semana e consegui surpreender todos lá em casa! Ficaram com os olhos a brilhar quando entraram na cozinha.

Gosto de tomar conta das pessoas que me rodeiam e garantir que estão bem (defeito de irmã mais velha), faço-o desde que me lembro e adoro. Mas desta vez soube mesmo bem ser eu a "mimada".

Mónica




segunda-feira, 14 de novembro de 2016

OUR NUTRITION GUIDE #10

Guerra ao glúten?

As dietas sem glúten são a nova tendência, seguida por cada vez maior número de pessoas.

Há quem deixe de comer glúten porque o organismo o rejeita ou não o digere facilmente, mas há também quem o faça somente porque acredita que está a fazer uma dieta mais sã e saudável.

O glúten é uma proteína formada por outras duas proteínas (gliadina e glutenina) que são as principais proteínas do trigo, aveia, centeio e cevada.

Muitos especialistas e investigadores referem que se trata de uma proteína de difícil digestão. O seu elevado conteúdo em prolina faz com que o glúten e as prolaminas relacionadas se tornem resistentes à digestão promovida pelas enzimas gástricas, pancreáticas e do próprio intestino. O desconforto abdominal, flatulência, náuseas, obstipação ou diarreia e sensação de enfartamento são os efeitos indesejáveis mais comuns. Mas também existem sintomas documentados de enxaquecas, dermatites, sinusite, asma e outras inflamações.

Apenas para quatro grupos de pessoas faz sentido excluir o glúten:

1. Celíacos (com diagnóstico clínico evidente de doença celíaca);
2. Indivíduos com alergia ao trigo;
3. Pessoas a quem foi diagnosticado a síndrome do intestino irritável;
4. "Não-celíacos", que apresentem sensibilidade ao glúten;

Não há evidência científica de que tirar o glúten emagreça e nem que esteja relacionado com a obesidade. A perda de peso acaba por ser um efeito secundário inerente a este tipo de dieta por um motivo muito claro e simples, uma pessoa que comia um pacote de bolachas ao lanche, inicia uma dieta "glúten-free", passa a comer uma fruta, é certo e sabido que vai emagrecer. 

Naturalmente, que ingerindo menos calorias, o emagrecimento será reflexo dessa troca e não da retirada do glúten.

Se por outro lado, trocar as bolachas de farinha de trigo por bolachas sem glúten, certamente não irá emagrecer devido a essa mudança específica.

Na realidade o glúten, está presente em muitas fontes de hidratos de carbono de alimentos industrializados, ricos em calorias e gorduras, ao eliminar estes alimentos da nossa alimentação, vai haver uma redução automática de calorias e peso.

Na realidade, o que acontece hoje em dia é que cada vez mais existem pessoas que se inserem no grupo daqueles que apresentam sensibilidade ao glúten não sendo celíacos, e desta forma estas dietas glúten-free reproduzem efeitos muito positivos.

Resumindo, faz sentido cortar radicalmente nos alimentos ricos em glúten? Faz, logicamente, mas para quem precisa!

Se muitos problemas gastrointestinais (e não só) ficarem resolvidos com a exclusão do glúten da alimentação, nada a opor. Enquanto nutricionista não posso nunca esquecer a individualidade de cada pessoa e as convicções em relação a tolerâncias a alimentos.

O meu conselho é simples: Se tem algum dos sintomas acima descritos, experimente eliminar temporariamente alimentos ricos em glúten, e avalie os resultados. Se por outro lado, não sente qualquer desconforto, mantenha apenas uma alimentação saudável.


Muito importante é ter sempre em mente que a moderação é a chave para o sucesso de práticas alimentares corretas e saudáveis.

Nutricionista M. Carolina Santo


quinta-feira, 10 de novembro de 2016

MOOD BOARD

Todos os anos nesta altura, desde que o Vasquinho nasceu, que começo a pensar/preparar a festa de aniversário.

Tal como no ano passado que mostrei aqui os preparativos da festinha dos 5 anos, agora também vou mostrar algumas imagens que me inspiram e das quais vou tirar ideias para a festa dos 6 anos - os tão esperados 6 anos!

Até chegar à fase de planear e preparar tivemos de pensar e ponderar bem antes de tomar essa decisão. Desta vez não estamos no nosso país, não temos a família nem os amigos para celebrar esta dia tão importante para o Vasquinho. Ainda pensámos em passar todo o dia fora a fazer actividades giras (coisa que por estes lados não falta) e não fazer festa. Depois de pensar, repensar e tentar perceber o que o Vasquinho preferia, chegámos à conclusão que vamos fazer as duas opções, aliás três: bolo de aniversário no próprio dia e parabéns cantados via skype com a família, actividades no Sábado e festa com os amigos de cá (poucos) no Domingo.

A tristeza e desânimo que se apoderam de mim há uns dias, transformaram-se em alegria e motivação. Não vamos deixar de celebrar por não ter cá as "nossas pessoas", antes pelo contrário, vamos fazer tudo o que pudermos para que o Vasco se divirta ao máximo e aproveite cada experiência.

Bom, dramatismos à parte, já estou cheia de ideias e vontade de preparar tudo como sempre faço. Escolhi umas cores bem diferentes das que costumo usar (normalmente azuis e vermelho), desta vez será branco e preto. É a festa do Panda :) 

Em princípio os portugueses estarão em minoria por isso, achei engraçado tentar fazer uma ementa tipicamente portuguesa para que os outros convidados possam conhecer as nossas especialidades (espero estar à altura!)

Ideias e vontade não faltam! Falta comprar os materiais para concretizar tudo o que idealizei ;)

Ana

(Imagens do Pinterest)






   
Criei um Board no Pinterest só para a festa, podem acompanhar aqui

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

A VIDA POR CÁ

Como sempre, tenho imensas coisas para contar e o tempo é tão pouco que não tenho escrito nada :(

Podia começar por descrever tudo o que sinto sobre esta nova experiência de ser mãe a tempo inteiro. É tudo tão diferente da minha vida em Portugal! A minha opinião também! Mas isso deixo para outra vez.

Hoje queria apenas reforçar a ideia que tantas vezes vemos escrita em frases de motivação ou inspiração. Ideia que tantas vezes ouvimos dos outros que mudaram de vida e que seguiram os seus sonhos e conseguiram! 

"If you always do what you always did, you will always get what you always got"

"Outside of the comfort zone, is where magic happens"

"Life begins at the end of your comfort zone"

E podia continuar a escrever mais umas quantas frases que, no fundo, querem dizer o mesmo.

Eu estou a passar por essa experiência. Aqui, é literalmente tudo novo, tudo fora da minha zona de conforto. Todos os dias tenho de ultrapassar medos, ansiedades e preocupações. 

Dito assim, até parece não ser uma coisa boa. Mas é! Não é fácil, claro, mas o progresso, a conquista, os pequenos passos que vou dando a cada dia que passa trazem-me uma alegria imensa e realização pessoal.

Adoro a relação que estou a criar com os meus filhos, sem ser apenas estar com eles ao fim do dia para lhes dar jantar e deitar. Estou a adorar conhecê-los mais e mais! Mas, também me estou a conhecer melhor, muito melhor. Acho que no meu dia-a-dia nem tinha tempo para parar e pensar em certas coisas. Hoje consigo ver que sou diferente do que era, que faço coisas que nunca pensei conseguir, que gosto de coisas diferentes do que pensava gostar, que dou valor a aspectos diferentes da vida e que todas as minhas prioridades mudaram.

A sensação que tenho é que agora a vida tem um propósito. Cada dia vou chegando mais perto. 

Ilustro este post com o melhor de mim, os meus filhos :)

Ana






segunda-feira, 31 de outubro de 2016

OUR FASHION TIPS #8

Já me foram ao bolso…
Não é que agora os preços dos piercings aumentaram?!

Ainda me lembro de quão pequeno era o antigo Bad Bones. Aquele que não era ainda uma moda. Ainda me lembro das reações que um pequeno pedaço de metal provocou nas cabeças alheias. Ainda me lembro das palavras, algumas ofensivas, sim, e ainda me lembro de como me senti livre pela primeira vez. Não é que a nossa liberdade possa ser medida por este simples e insignificante acontecimento. Mas foi a primeira vez que expressei o meu verdadeiro eu. Um eu que não segue carneiradas e que luta por ser sempre a ovelha que vira à esquerda quando todas as outras viram à direita.

Ainda hoje sigo esse dogma. Segue-o o meu cabelo, o meu percurso profissional, a minha paixão pelo FC Porto, o meu amor por carros clássicos, o meu background académico. Enfim… Onde é que já se viu uma gaja madeirense apaixonada pelo FC Porto com um Fiat 850 Sport Coupe de 1970 (menina dos meus olhos) com um mestrado em engenharia eletrotécnica no Técnico cujos últimos penteados passaram por cabeça quase completamente rapada e um pixie loiro platinado.

Fiz o meu primeiro piercing na sobrancelha. Não tão avançado na escala da loucura como o piercing na língua, mas aí está um local que jamais faria. Jamais farai algo de minha livre e espontânea vontade que me imponha restrições alimentares (o combo sopas/sumos é só para quando estou doente ou com os canos entupidos).
A única reação que realmente contava para o Totobola era a dos meus pais. Imaginem lá esta ente a chegar à ilha vinda dum primeiro semestre na faculdade em Lisboa com duas cadeiras apenas no bolso, mas com uma pequena adição: um piercing. A minha mãe nem fez muito caso. Acho que o cérebro entrou em modo "vejo apenas aquilo que quero ver". O meu pai disse algo que jamais esquecerei "Porquê fizeste tal coisa? Isso dos piercings é para pessoas não muito bonitas que querem chamar a atenção". Obrigada pai, mesmo que tenhas uma opinião enviesada. Não, não é um pedido de ajuda disfarçado. Trata-se apenas de exprimir a maneira com a qual me quer apresentar ao mundo. Sim, sou um pouco rebelde, mas isso nunca fez mal a ninguém. É quem eu sou. Mas admito que o bichinho de ter feito algo “proibido” teve um peso q.b. na minha decisão. Denoto influência de uma década num colégio de freiras.

Acompanhando os blogues de moda e os editoriais de moda e os Instagrams da malta rica e famosa não é que os piercings agora estão na moda?! Adoro ver as orelhas forradas com piercings fora do normal. Adoro ver os narizes transformados em focinhos de touro (não estou a ser irónica, gosto mesmo do toque bovino da coisa). Adoro piercings nos mamilos (não teria coragem, mas acho sexy). Os piercings na língua é que já não me fascinam tanto nem os piercings no umbigo (quase que me esquecia que estes foram já alvo de uma moda maluca à la Britney Spears; se calhar enjoei de ver em tudo o que era umbigo).
Os piercings encaixam perfeitamente com as novidades das casas de moda. Devorei a nova coleção para o frio que aí vem de Nicolas Ghesquière pela Louis Vuitton onde os piercings assentam que nem uma luva no estilo rock/gótico.

However, é tudo muito bonito e os preços dos piercings simplesmente dispararam. Sim, estou em Londres, mas mesmo tendo em conta câmbios e inflações e euros é mesmo muito caro muito mais do que nos meus tempos de faculdade. De qualquer forma, aventurei-me (poupei uns trocos, quero eu dizer) a voltar a fazer mais um piercing na orelha (já perdi a conta a quantas vezes furei e “refurei” a orelha). Mas desta vez queria algo diferente, algo que por si só alimenta a minha orelha. Decidi fazer um rook (nas fotos abaixo a sua localização). E fi-lo também por adorar o tipo de joalharia que mais se enquadra neste spot. Decidi ir a um dos melhores locais de Londres, a Maria Tash. Vinda dos States, instalou-se nos armazéns da Liberty (no próximo mês irei partilhar os meus locais eleitos para fazer compras nesta época natalícia). Podem dar uma espreitadela ao novo inquilino da minha orelha nas fotos abaixo (não, não doeu nadica de nada!).

Como mulher descomplicada que sou, adoro de manhã não ter que me preocupar com “quais os brincos e colares que melhor se enquadram na minha indumentária”. Um simples piercing para mim faz toda a diferença quando a peça de joalharia é escolhida acertadamente. É isto a moda. São os detalhes que nos fazem diferenciar da multidão.

E agora perguntam vocês, porquê levar com uma agulha na orelha, sofrer dores horríveis (overrated minhas caras) e ter que dormir sempre do lado contrário da coisa (chato, é verdade)? Por que aquela sensação de voltarmos à adolescência faz-nos sentir um pouco mais vivas. Por que a memória de fazer o meu primeiro piercing naquela sala pequena do Bad Bones nunca se esvanecerá. Até mesmo quando as minhas orelhas estiverem tão dependuradas que já parecem lençóis no estendal a secar.



Objeto de desejo do mês
Caligraphy Tote Bag by Liberty London
(na imagem a mala customizada com a letra do meu nome)



Trendsetter do mês
Iris Apfel
(tomara eu chegar à idade desta senhora com esta genica e savoir faire)


Tatiana Pina Mendes

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

SPOTS TO GO #2

DA TABERNA, AS FLORES E OS SEUS ESPINHOS

Chegou à Taberna da Rua das Flores e o Tiago já estava à porta, conjuntamente com outros grupos e outros casais ocupando grande parte do passeio estreito. Todos aguardavam mesa,  alguns com um copo de vinho conversando animadamente, outros olhando para o relógio.

- Já temos o nome na lista. Agora é aguardar por mesa!
- Ainda bem que conseguiste chegar mais cedo. Como foi hoje na clínica?
- Finalmente um dia mais calmo, aproveitei para tratar da papelada.

Tiago deu-lhe um beijo rápido. Uma formalidade. Não soube a nada. Vagamente a papel.

Mariana espreitou para dentro da taberna. Um espaço pequeno para tanto sucesso, com cadeiras e bancos em madeira, mesas com tampo de mármore e um chão de mosaico. Nas paredes armários de vidro com vinhos, conservas e cervejas artesanais completam a decoração simples, como se quer numa verdadeira taberna. Sem excessos.

Situado na rua com o mesmo nome, em pleno Chiado, há muito que faz parte de quase todos os roteiros e guias nacionais e estrangeiros. Com uma ementa pequena e que pode variar todos os dias, é fiel aos produtos da estação  e tem como missão recuperar alguns sabores que já tínhamos esquecido e incorporar novos. Não aceita reservas por telefone, faz parte da filosofia da casa chegar, dar o nome, receber um cálculo aproximado da hora para regresso e esperar. E esperar. Sabendo as regras, Mariana gostava muito de lá ir. Por ela, valia sempre a espera!

Um rosto familiar numa das mesas chamou-lhe a atenção. Virou-se para o Tiago e justificou-se:
- Vou só lá dentro cumprimentar um amigo que já não vejo há imenso tempo. Dá-me um minuto.

Alguém disse o seu nome com um sorriso rasgado, abrindo os braços calorosos quando a viu aproximar-se. Ela não queria interromper. Era só para dizer um olá.  
- Luís! Por Lisboa? Como estás? Não sabia que já tinhas regressado. Como foi lá no Dubai?
- Eu já voltei há mais de um ano e estive no Qatar Mariana. Nunca mais te vi. De vez em quando estou com o teu irmão. Temos de combinar alguma coisa. O Tiago? Tudo bem convosco?
-Está bem, está ali fora. Aguardamos a nossa mesa. Sim, vamos falando, claro. Bom resto de jantar!

Luís deu-lhe um beijo no rosto em jeito de despedida. Morno e meigo. Soube a Verão.

Quando se virou ele agarrou-a pelo braço. Sentiu a sua mão firme por cima do casaco.
- Está tudo bem?! – Disparou olhando-a nos olhos.

Porquê aquela pergunta? Ajeitou o cabelo, talvez estivesse desalinhado (como quase sempre) e passou a mão pelo rosto. Acenou com força e seguiu. A mesa junto à porta já estava pronta e Tiago acenava impaciente.

Um grande quadro de ardósia com a ementa do dia escrita a giz é colocado bem à frente dos seus olhos e uma jovem entusiasta explicou com detalhe em que consistia cada prato. O difícil foi escolher! Optaram por se focar nas opções do mar e começar com um clássico da casa, o picadinho de carapau (7,50€). Peixe fresquíssimo marinado com gengibre, maçã verde, aipo, cebola roxa e limão. O preferido do Tiago.

De seguida viria um tataki de atum ligeiramente braseado, delicioso, com sementes de sésamo e um molho espesso com miso (14€). Para fechar pediram espetadas de vieira enroladas em bacon estaladiço com maionese de wasabi (14€) que nunca dececionam. Antes ainda veio o couvert (3,50€) com broa muito boa, pão saloio, azeitonas marinadas e uma tacinha com azeite.

Hoje Mariana revê os momentos vividos a dois vezes sem conta. Este jantar e muitos outros antes e depois deste. A rotina já se tinha instalado, reconhecia, mas o amor estava lá, certo? Onde se tinham perdido enquanto casal?
"7 anos para o lixo. 7 anos para o lixo." Não conseguia parar de repetir baixinho.
Queria tanto voltar atrás no tempo, analisar as palavras, as que foram ditas, mas sobretudo as que ficaram entaladas por dizer. E saber o que fez mal. Foi tudo culpa sua.

Tiago vagueava agora o olhar pelo telemóvel, o garfo na mão direita, distraído, picava devagar  o bolo de chocolate delicioso e de sabor intenso polvilhado com açúcar (3€). Mariana não quis sobremesa. No ecrã sucediam-se fotos, frases inspiradoras e as notícias de última hora do outro lado do mundo, que agora é o nosso quintal.

Ela procurou o dela à solta na mala e fez o mesmo.

Um empregado interrompeu o momento e fez  menção de que outro casal esperava a mesa. Ainda havia muitas refeições por servir naquela noite. Pagaram e seguiram para o parque de estacionamento. O dia seguinte era de trabalho.


Mariana Reis



Taberna da Rua das Flores
Portuguesa/Petiscos
Rua das Flores, 103 (Chiado) Lisboa
15€/pax. aproximadamente
Descanso semanal: Domingo
De segunda a sexta: 12:00 às 00:00
Sábados: 16:00 às 00:00
Não aceita reservas
Não aceita cartões


"Qualquer um pode amar uma rosa, mas é preciso um grande coração para incluir os espinhos."

Clarice Lispector 





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